Uma estátua que os pesquisadores acreditam representar o deus budista Vaisravana, também conhecido como Jambhala, uma divindade ligada ora a saúde ora a guerra, foi levada para a Alemanha entre 1938 e 1939. O responsável, e líder da expedição nazista ao Tibet, foi o zoólogo e etnólogo Ernst Schäfer, e seu objetivo era encontrar pistas das origens da raça ariana. Depois a estátua passou para as mãos de um colecionador particular.

Uma imagem da suástica no peito do personagem provavelmente foi o que interessou aos nazistas. Em 2007, o pesquisador Elmar Bushner e seus colegas da universidade de Stuttgart realizaram as primeiras análises na peça, obtendo permissão para recolher pequenas amostras de seu exterior. Em 2009, a equipe pode obter amostras maiores do interior da estátua, que têm a vantagem de não sofrer contaminação como na superfície.

Os cientistas descobriram que a estátua foi esculpida a partir de um tipo raro de meteorito chamado ataxite. Esse material é em grande parte formado por ferro com altos níveis de níquel, daí o apelido da estátua, homem de ferro. Como curiosidade, o maior meteorito conhecido, o Hoba que caiu na Namíbia, é um ataxite com mais de 60 toneladas de peso.

O meteorito original caiu provavelmente há 10.000 anos na fronteira da Sibéria com a Mongólia, e Vaisravana foi esculpido nele entre os séculos VIII e X. Análises químicas das amostras da estátua revelaram uma grande similaridade com as rochas espaciais do campo de Chinga, na região mencionada, onde foram localizados cerca de 205 fragmentos de meteoritos, e que caíram entre 10.000 a 20.000 anos atrás. A descoberta desse campo ocorreu em 1913, mas a existência da estátua comprova que as pessoas utilizavam os materiais do campo há muito tempo.

De acordo com Bushner: "A estátua apelidada de homem de ferro é o único exemplo de figura humana esculpida em um meteorito, significando que não temos como tecer comparações a fim de estimar seu valor. Talvez pela sua origem possa valer 20.000 dólares. Se nossa estimativa quanto a sua idade de aproximadamente 1.000 anos estiver correta, seu valor pode ser incalculável".